segunda-feira, 5 de março de 2012

Tatuadas no peito...



Mais do que saber onde moram tenho tatuadas no peito as cores de todas as estrelas que, sendo-me na epiderme, delineiam na candura das lágrimas indolores o mesmo fervor com que me lava a gargalhada mais profunda. Se no éter me certificam existir no silencioso grito do desejo a possível fusão da pele arrebatando-me o suspiro, estendendo-me o caminho para casa, para a eternidade dum abraço perdido, ou para o seu único nome...

PBC

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Competências sociais


Um dia, após alguns anos sem se verem dois amigos encontram-se e começam a pôr a conversa em dia. Um vira-se para o outro e pergunta:

- E então, como é que vão as coisas?

Responde o outro: - Epá, nada bem. Ando há imenso tempo a tentar arranjar trabalho mas não tenho conseguido nada. Estou a pensar fazer mais um curso.

Diz o primeiro: - Mas tu não tens já vários cursos?

Responde o amigo: - Sim, tenho três licenciaturas e dois doutoramentos mas estou a pensar fazer um curso de competências sociais. Disseram-me que para arranjar trabalho é melhor possui-las do que ter competências técnicas. Acontece é que ainda não percebi muito bem o que é isso. Quanto mais investigo mais baralhado fico. Talvez sejas tu quem me possa esclarecer.

O primeiro olha para ele, sorri e diz-lhe: - Bem, em principio, competências sociais não é coisa que se estude numa faculdade. Por definição trata-se da capacidade de nos relacionarmos de forma cordial e produtiva com os demais e com a sociedade em geral. Isso nos países normais, mas em Portugal é outra coisas.

Mais baralhado ainda pergunta o segundo: - Como assim?!

Resposta do primeiro:- Por cá, independentemente da besta ou do incompetente que sejas, de uma das seguintes basta-te ser ou lambe botas ou então conspirador, venenoso, fofoqueiro, opus dei, maçon, opus gay, do lobby da coca, do das orgias secretas, em fim, qualquer coisa onde fiques com o rabo preso.

Já completamente desconcertado pergunta ainda o outro: Sim, mas e como é que consigo saber como se chega lá?

Resposta final: Pá, talvez telefonando ou para a assembleia da republica ou então para a administração de alguma empresa pública.

PBC

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Dizia-lhe ele...


Dizia-lhe ele:

Desculpa-me, mas de facto, estou-me literalmente a cagar para quem és ou deixas de ser, para o que tens ou não tens, para o que fazes ou nunca fizeste, para quem conheces ou deixas de conhecer, para onde foste ou deixaste de ir, para onde vais ou não vais, porque, para me conquistares ou impressionares, basta-te o olhar limpo pela verdade, e um abraço. Se assim for, dou-te um abraço também.

PBC

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pois, também me parece...

Não sei se a idade começa a fazer de mim um moralista, se nestes casos a desidentificação me leva a percorrer o caminho confrontativo, se me intimida saber que pelas costas alheias meço as minhas ou se, por e simplesmente não me assiste cultivar as agruras de tal inferno, mas o facto é que hoje me faz sentido dizê-lo.

Também é certo que ao fazê-lo, se por um lado me aproximo do que critico, por outro lembro o quanto tal me agasta e por conseguinte evito; digo:

Pessoas que nas suas conversas tendem a despender mais tempo a falar dos outros, das suas vidas ou a tentar controlá-las, do que a acrescentar valor à vida, em geral, espelham o desencontro com a felicidade. Parco ensinamento para as minhas aspirações. Fazem-no tentando esquivar-se do que não gostam em si e da dor provocada pelo olhar ao espelho as nossas feiuras. Daí, pela ignorância, merecerem o meu perdão e compaixão.

De igual modo, pondo terceiros na berlinda como se só de manjares lodosos se anafassem, auto iludindo-se, como constante, o que ambicionavam era poderem ostentar aquele tipo de imagem impoluta e incólume que prolifera nos contos de fada, mas a sua não posse corrói-lhes a consciência ao mesmo ritmo com que desenfreiam a língua.

Não sei se já alguma vez se tiveram no facto, mas se se lembrarem, quando por vezes essas pessoas nos concedem o privilégio de nos incluírem nas suas confissões sobre o jeito alheio, o que estão a fazer é a pedirem-nos perdão pelo que ou por quem são. Não lhes ocorre que ninguém a não sermos nós mesmos poderá perdoar culpas próprias. Quanto muito, aos outros, caberá aprovarem-nos ou reprovarem-nos actos ou formas de ser. Não é isso que fazem os outros; somente aprovarem-nos ou reprovarem-nos a integridade ou falta dela? Pois, também me parece. Da integridade, que é coisa complexa, quem sabe, a correr, fale um dia destes.

Mas adiante. De facto, este tipo de pessoas transporta um determinado tipo de pestilência e pobreza, a pior delas todas, da qual gostavam de se penitenciar, mas a insegurança provocada pelo confronto com a interiorização é tamanha que ao invés de se aventurarem no superá-lo cedo se desmoralizam pelo trabalho dado, razão pela qual a fofoca também lhes serve não só de paliativo como também para culpabilizar tudo pelos oportunos infortúnios. Destes, quando não eu mesmo, conheço-os mais do que desejaria.

As suas emoções e sentimentos usam ser um corolário de frustrações não idas além da fantasia, descompensando-os. Também por esse intuito motiva-os mais o exterior de si mesmos ou da envolvente do que o âmago e a completude das duas coisas. Admiram e invejam quem consegue realizar o equilíbrio destas duas parcelas do eu mas, nas suas bocas, preferencialmente, porque lhes assombra o pretenso poder, optam por descredibilizar quem o consegue. Ouvindo-os, quase acreditaremos estarmos na presença dum messias de café verdadeiramente conhecedor e fazedor dos segredos de estado. Rodeados por um ou dois discípulos do bairro fazem sempre por parecer terem muitos amigos, amigalhaços a quem tentam controlar a existência, somente para poderem ter com quem falar acerca dos que, de entre eles, num ou noutro dia, calha a sorte da maledicência.

Os que os acodem, um dia bestiais outro bestas, temendo perder os privilégios de sequita lutam permanentemente contra a exclusão por parte do venenoso, esquecendo-se de que aquilo que os caracteriza é o serem mero liquido dum cálice de fel. Se há lealdade nestas pessoas é exclusivamente para com o medo de serem elas as julgadas. Dai a tentativa de exercerem controle sobre o que a determinada altura se enfeita de “turba esfaimada”. Por isso me enfadam, por isso, mesmo há distancia, farejo-as, e delas, somente desejo distancia.

PBC

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A ignorancia dos nossos universitarios


Há já algum tempo que, nas minhas análises que a pouco mais me remetem do que ao sentimento de eventualmente me estar a tornar num extra-terrestre, quiçá a envelhecer e por consequência passar a fazer parte da brigada de costumes, dizia eu, há já algum tempo que venho chegando à brilhante conclusão de que, digo, facto consumado, Portugal tem vindo a gerar a um ritmo alucinante uma geração de imbecis certificados. E o que mais me preocupa é, a julgar pelas decisões do executivo no respeitante à cultura, tudo isso se passar com o aval e incentivo das mais altas instancias.

Não perderei aqui tempo a dissecar o que outros entretanto já dissecaram sobre esta matéria. Já me basta saber que quando no passado tinha uma ideia para produzir cultura, sim, porque sou dos que nasceram com a infelicidade de serem propensos a isso, se quisesse fazer uma exposição ou outra dessas tretas quaisquer, como por muitos dos nossos futuros decisores é designado, os incentivos, após bem esgrimidos argumentos, eram-me concedidos. Hoje, talvez por confrontar muitos com a panaceia de valores instituída, a coisa pia mais fininho, ou seja, nem pia.

Mas adiante. Veja-se por exemplo o estudo – em anexo - realizado pela “Sábado” sobre o grau de cultura geral das novas gerações, no qual nos podemos deliciar com verdadeiras odes à futura e já presente incúria desta nação. Pergunto-me sobre o que é que ocupa o lugar do conhecimento na mona desta gente e mais rápido do que a ligeireza com que os mesmos debitam impropérios sou levado a concluir que se não for serradura, alguma sigla mais em voga, o preço da caipirinha e do chote ou a cor das cuecas da Pamela Andersen lá do bairro, será mesmo é rarefeito ar. Talvez para não pagarem impostos. Eventualmente será assim que aprendem a poupar.

É certo que por vezes também me dou com pessoas que distinguirem entre uma vaca a defecar num prado e um Basquiat, um Rembrandt ou um Miro é o mesmo que tentarem discernir acerca da salubridade das águas do mar morto num dia de chuva. Mas esses, porque é assim que se funciona por cá, têm cunha junto da minha tolerância.

Mas pronto, o que fazer, se sou do tempo em que balbuciar um quarto que fosse de tamanhos impropérios era tido como sacrilégio, do tempo em que quando por exemplo se ia ao “Bairro Alto” era para, ao sabor dum etileno qualquer mais venenoso, viver, criticar e produzir a vanguarda. Hoje não, hoje, salvo algumas boas excepções, não sendo por questões eleitoralistas ou de simples socialização, ir ao “Bairro Alto” é nalgumas ruas tentar passar-se despercebido para não sermos identificados com a mesma estirpe de provectos defensores da imbecilidade avulsa, em nome dum pretensiosismo consumista e do querer fazer parte, já não se sabe bem do quê, a não ser do poder-se dizer nas redes sociais que se esteve ou vai.

E tudo isto, com honras de majestade sacerdotal por parte dum estado que prefere gerar absuntos que não questionam os seus fracassos e defraudanços conjecturais; porque um estado onde a imbecilidade se ri da própria ignorância é preferível a um estado em atenta observância.

PBC

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Enigma - Gravity Of Love



Perdoa-me se neste emancipado procurar-te sempre chego em silêncio e, sem ousar perturbar a chama que as apazigua, em reverência, nada mais fazer do que, como se sublimes néctares de oxigeno fossem, beber as pérolas que dispões sobre o ânimo para delineares o suspiro escancarando-me a porta da demora...

É que, digo-te, não quero afoitar, alguma que seja, as quimeras companheiras da míngua que à luz do clandestino murmúrio me chegam como de ti simples e divinas...

Que por hora me basta a verdade do alento ao saber-te eterna sempre que me dobras as abas ao pensamento quando aí me guias, e que os dias onde não me cicias o desejo em estradas que a nada levam se fazem...

Só porque de ti não me descuido...

PBC

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Silêncio...


Fosse a glória de amar o silêncio que antecede o suspiro e por breves instantes se acomete ao delírio para resgatar às noites vãs o sossego e não mais me bastaria como alívio beber-te os gesto do olhar onde errante me conservas, nem ler neles a forma perecível do tempo definido tecendo prédicas à alma seria em mim o vago saber de que reside à distância do irresoluto querer a devassada porta das casas ensombradas: segredo da pele invadindo o perfume das manhãs beligerantes...

Se tão pouco há no fingimento forma de negares não te corroer a mesma lua que me agita as madrugadas, e todos os feitiços do cristal quebrado...

PBC