terça-feira, 15 de novembro de 2011

Enigma - Gravity Of Love



Perdoa-me se neste emancipado procurar-te sempre chego em silêncio e, sem ousar perturbar a chama que as apazigua, em reverência, nada mais fazer do que, como se sublimes néctares de oxigeno fossem, beber as pérolas que dispões sobre o ânimo para delineares o suspiro escancarando-me a porta da demora...

É que, digo-te, não quero afoitar, alguma que seja, as quimeras companheiras da míngua que à luz do clandestino murmúrio me chegam como de ti simples e divinas...

Que por hora me basta a verdade do alento ao saber-te eterna sempre que me dobras as abas ao pensamento quando aí me guias, e que os dias onde não me cicias o desejo em estradas que a nada levam se fazem...

Só porque de ti não me descuido...

PBC

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Silêncio...


Fosse a glória de amar o silêncio que antecede o suspiro e por breves instantes se acomete ao delírio para resgatar às noites vãs o sossego e não mais me bastaria como alívio beber-te os gesto do olhar onde errante me conservas, nem ler neles a forma perecível do tempo definido tecendo prédicas à alma seria em mim o vago saber de que reside à distância do irresoluto querer a devassada porta das casas ensombradas: segredo da pele invadindo o perfume das manhãs beligerantes...

Se tão pouco há no fingimento forma de negares não te corroer a mesma lua que me agita as madrugadas, e todos os feitiços do cristal quebrado...

PBC

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Não sei...

Não sei se repouso ou se feneço, nesse silente discurso desajustando a meta dos suspiros que evocas sem que os deixes cair, e que a mim, soubesse eu delas, seriam palavras parnaseanas arrasando o leito onde não mais me deitar, somente preencher delas os recessos da pele em revolta. No resto, como se o sentir afiasse esta espada conquistando o pecado, somente erigir a cegueira, ou atear a fogueira onde te beijar, embalado, sem estranhar a paixão...

PBC

"In vino veritas"


Não conseguiu precisar, se duas, se três, quatro ou seis horas se tinham passado, nem isso lhe pareceria importante quando mais tarde tentasse reencontrar o ponto de partida. Bebera litradas. Até se sentir o maior. Até conseguir amesquinhar o céu da boca. Até só já respeitar o prazer da luxúria e co-réus da fuga. Até crer e pôr como verdade a verdade que não lhe pertencia, nem lhe cabia: vender por veracidade a conveniência. Até exigir virtude à perversão. Até à liberdade da desresponsabilização. Até a razão ser imposta, clandestina em terra de ninguém. Até os compromissos perderem, doerem, serem a desdita. Até, já, por fim, a caminho da cama, do fundo do corredor, arremessar sem pejo, uma vez mais, costumeiramente, novas lanças ao peito do zelo. Com a legitimidade própria à perfídia. Heroicamente. Pois então. E assim adormeceu. Pela manhã, julgando acordar, voltou a envergar, cingidas às espáduas, todas as inseguranças e pestilências que as acompanhavam. Tremeu, vacilou, empinou-se nos restos de orgulho soçobrando. Constatou a ausência do zelo. Mal se importou. Sempre o vira por garantido. Mas tropeçou nele, no corredor. Jazia ensanguentado, num lago rúbeo, coalhado. Mas exigiu-lhe rosas, por conta das lanças. Mas qui-lo airoso, como no ponto de partida, maldizendo a chegada, assanhando-se por outra litrada.

PBC

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Believe me ...

It’s so simple as that my friend. Do not presume that you can listen the singing of her eyes. You can go in but you can’t go out. It will always be a disease; the worst wish in earth, man. The perfect curse and the sweetest poising. Believe me when I tell that you should not focus her back so badly nor even dream about her perfume. This woman kills more men than cancer. When she breathes heaven and hell struggle to be in control while the horizon quakes. Yes, all those ones caught in the middle are falling to dye. I know it because I am a survivor; nevertheless I still feel the sweet taste of her skin chapping my tongue and the flame of her body consuming my fingertips, for the eternity.

PBC

terça-feira, 15 de março de 2011

Desnorteando o eco...

Sucumbir ao silêncio, achando nas palavras meramente o precipício onde falecer com elas, como se, alcançar alguma que seja, nada mais que a um estéril lugar conduzisse o inaudível grito com que na língua, já lava, escarafuncho o teu nome.

E chamo-te, chamo-te desnorteando o eco, como se todos os poemas tolos que invento sem os verbalizar se tornassem sublimes no simples ensejo de pretende-los nascidos pela voracidade dum beijo, que fumigue as vagas certezas da distância – brado atravessando o pensamento sem atalhos e a eito à sofreguidão das esperas maiores, essas que me certificam que do suspiro se faz a cal com que branquear a delonga dum abraço e o lancetar das chagas do anseio; se não vens, se me dizes Ser Bandida Sonhando Beijar-me até que nada na Paixão Seja Banal…

PBC